LER: ligar, explicar e reunir

Ler é um dos maiores desafios para o ser humano, pois tem a ver com o modo como se entende tudo aquilo que está à sua volta: as palavras, as pessoas, os gestos, os sonhos, a natureza e tudo o mais. 

A leitura não é somente de sílabas ou palavras, mas é leitura de mundo, de várias situações e circunstâncias que compõem o nosso cotidiano. Ler não é apenas decodificar palavras, mas ver ideias e dialogar com eles. As ideias são ricas e transbordam de sentidos, os mais diversos. Apreendê-las é exercer o ato puro da leitura.

Podemos dizer que ler é ligar uma coisa a outra, fornecendo um fio condutor de sentido entre essas duas coisas. Aprender a perceber e a relacionar as ideias que estão sendo mostradas ou sugeridas pelo autor ou pela expressão em si. Ler é explicar, com o maior número de detalhes, os enlaçamentos desses fios condutores que unem duas coisas entre si. E ler é reunir o maior número possível dos diversos enlaçamentos encontrados e ser capaz de mostrá-los de maneira coesa e coerente.

Antonin Sertillanges afirmou, com certa precisão, existir quatro espécies de leitura: fundamentais, ocasionais, de treinamento ou edificantes e as relaxantes. As fundamentais são aquelas leituras que fazemos com o objetivo de adquirir formação em alguma área, entender sobre algum assunto específico; as ocasionais são aquelas para a realização de alguma tarefa, como um trabalho de escola, a preparação de uma aula; as de treinamento ou edificantes são aquelas obras que lemos com o intuito de nos preparar para certa tarefa, certo trabalho ou para o bem de algo; e as relaxantes são aquelas leituras para distração.

Seja qual for o tipo de leitura que fazemos devemos fazê-las com prazer. Obviamente, o prazer nem sempre é algo que desperta somente alegria, mas uma sensação qualquer, que pode ser de alívio, de espanto, de admiração, de tristeza ou de dor. A dor é parte do processo da aprendizagem. Aprender não é somente fruição, é preciso, muitas vezes, esforço e diligência. Muitas vezes, a disciplina que se exige de quem aprende é severa e poderá custar horas de sono, dores de tensão e de cabeça, cansaço físico e esgotamento emocional. Às vezes, produzir um texto é como dar luz, como um parto, cujas parturientes são aquelas pessoas desejam ir mais fundo e descobrir os diversos sentidos que a vida proporciona.


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